Foi uma reviravolta na cultura jamaicana. Bob Marley explodia com seus albuns Catch a Fire e Burnin. O Third World aparece nesse cenário casado com as raízes mais profundas (roots), com influência indígena somada ao folk music, tudo junto à batida africana. Os caras derraparam no começo mas a fama veio rápido. Em 1975, o produtor Cris Blackwell, então fundador e dono do selo Island Records, que levou Bob ao público internacional, contratou o Third World para que o grupo fizesse as aberturas da turnê européia de Bob and the Wailers naquele ano. De gala galera!!! Os caras detonaram e se firmaram pra valer. Essa proximidade com Marley, que durou pelo menos dois anos ininterruptos, trouxe várias influências ao Third World, espiritualmente e musicalmente também. Começaram a pipocar os primeiros hits da banda. "Satta Amasa Gana", autêntico som que rola na noite da famosa e mística região jamaicana conhecida como Strawberry Hill, na real uma hipnótica trilha musical dedicada ao terceiro mundo. "96º in the shade" e "Jah Glory", evidenciando que a banda não só passaria a ser referência ao rastafarianismo mas também pura demonstração de maturidade musical e inovação ritmica.
Foi inclusive com o lendário álbum 96º in the shade que se firmou na banda o vocalista "Bunny Rugs" Clarke, um jamaicano que desde pequeno sofreu e batalhou nos guetos de Nova York. Foi a ponte para o estouro e a fama em "Journey to Addis", simplesmente conhecida mundialmente, época essa também em que apareceu o hit "now that we found love", uma joyful discoreggae originalmente gravada pelos The O’Jays que chegou a ser uma das dez canções mais tocadas em todo mundo.
Tudo isso acompanhado de shows ao vivo que foram e continuam sendo marcantes. Prova disso nos foi dada na Pedreira, quando tocaram acompanhados de Lucky Dube e outros feras. Energia, positividade, musicalidade, alegria no palco, facilmente a banda esquivou-se de rivais que os criticavam e os chamavam de covers de Bob Marley and The Wailers. Com a morte de Marley, em 1981, a banda foi um dos centros de atenção do Sunsplash Festival daquele ano, todo dedicado ao Rei como não poderia ser diferente. Em 1985 a banda inova nos ritmos, lançando "sense of purpose", com a inevitável influência da música eletrônica associada aos DJ’s jamaicanos, que começavam a fazer presença no cenário da Ilha Mágica do Caribe. A tendência se confirmou praticamente em todos os álbuns e hits posteriores, com destaques como "forbidden love", "reggae radio station", "DJ ambassador", entre outras. Com fé, esperança, amor e raízes Rasta, o Third World cumpriu e continua cumprindo bem a missão de manter a chama do reggae acesa, bem acesa se é que a galera me entende. Não só isso, foi um dos motores da expressividade e universalidade do ensinamento Rastafari para todo o mundo.
Foram quatro vezes indicados ao Grammy Award, em 1986 ganharam a medalha da paz da ONU. Continuam com o pé na estrada, espalhando harmonia por onde passam. Verdadeiros worl’ers inna new dimension, como disse uma vez Winston Barnes, colunista musical do jornal jamaicano "Daily Gleaner". Ou como a própria banda se autodefine: "Everytime we think, hear or play music we remember the dream!!!"
Jah Rastafari sempre, para eles e para o mundo todo.
Michael ’Ibo’ Cooper - Teclados
Stephen ’Cat’ Coore - Guitarra/Cello
Richard Daley - Baixo
Willie ’Root’ Stewart - Bateria
Irvin ’Carrot’ Jarret - Parcussão
William ’Bunny Rugs’ Clarke - Vocal/Guitarra
Milton ’Prilly’ Hamilton
Carl Barovier - Bateria
Cornell Marshall - Bateria
Willie Stewart - Bateria